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Entrevistas

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Roque Pellizzaro Jr

Em Natal para participar da 13ª Convenção do Comércio e Serviços do RN, o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Jr., falou sobre a atual situação do comércio brasileiro, crédito, SPC e Cadastro Positivo em entrevista à FCDL/RN e ao jornalista Vinícius Albuquerque, do blog Mercado.com. O presidente da CNDL também elogiou a convenção estadual e a destacou como a maior em proporções em todo o país. Roque ainda comentou sobre a importância dos lojistas do estado para a Copa 2014 e as chances do Rio Grande do Norte ser sede de uma convenção nacional em breve.

Vinícius Albuquerque: Nesse momento de crise, qual a importância do crédito para os empresários?
Roque Pellizzaro Jr.: 100%. Essa, diferente das demais, não é uma crise que está faltando energia, faltando logística, faltando matéria prima. O que falta é fluxo financeiro. Então, dentro desse cenário, o crédito é um fator relevante e o mantenedor da atividade econômica.

Vinícius Albuquerque: Mas o crédito para o cliente ou para o empresário?

Roque Pellizzaro Jr.: Ambos. O crédito para o empresário e, em conseqüência, o crédito para o cliente. O crédito para o empresário, em geral, é utilizado para investimento; já o crédito pro consumo, no Brasil, diferentemente do resto do mundo, é muito presente através do varejo. No resto do mundo, o crédito para o consumidor é feito pelas entidades financeiras, e não pelo varejista.

Vinícius Albuquerque: Essa diferença é ruim?
Roque Pellizzaro Jr.: No momento atual ela é muito boa. Se você me fizesse essa pergunta antes de setembro [2008], eu diria que era ruim. Agora, o que era ruim passou a ser uma qualidade.

Vinícius Albuquerque: Mas por que isso é uma qualidade nesse momento?

Roque Pellizzaro Jr.: Porque não é dependente do sistema financeiro, que é onde a crise está alojada. Então, você não tem dependência daquele setor que está com problema. Quanto menor tua dependência, mais longe da crise você está.

Vinícius Albuquerque: Com relação ao SPC, que visão o lojista precisa ter em relação ao cadastro?
Roque Pellizzaro Jr.: O lojista precisa entender primeiro como é que funciona. É importante que ele alimente esse cadastro com suas informações, com seus registros, e efetivamente consultá-lo. A consulta ao SPC é o que vai dar qualidade na venda. É o que transforma efetivamente uma venda “fiado” numa venda a prazo.

Vinícius Albuquerque: Atualmente já se pensa no Cadastro Positivo. Qual é a sua opinião com relação a esse cadastro?
Roque Pellizzaro Jr.: Extremamente favorável. O Cadastro Positivo é uma evolução do nosso Serviço de Proteção ao Crédito. Eu acredito, através dos dados que nos chegam de países que o implementaram, que ele deve fazer com que o PIB brasileiro tenha um salto tão logo haja sua implantação. Nos primeiros três anos depois da implantação do Cadastro Positivo, nós teremos condições de crescer em torno de 30% a 35% a mais no PIB do que a previsão sem ele.

Vinícius Albuquerque: O que está faltando para se implantar esse cadastro agora?
Roque Pellizzaro Jr.: A regulamentação pelo Congresso Nacional. Existem alguns projetos de lei, que foram votados há pouco tempo na Câmara dos Deputados e estava indo muito bem até o finalzinho da aprovação. Aí ele foi desvirtuado com a aprovação de duas emendas, e agora cabe a nós melhorá-lo no Senado.

Vinícius Albuquerque: O que foi que aconteceu com essas duas emendas?
Roque Pellizzaro Jr.:
Eles aprovaram que você só pode fazer registro no SPC por carta com Aviso de Recebimento, e não pode registrar dívidas inferiores a prestações de R$ 60. Isso é desastroso porque, na verdade, não vai mais existir prestação abaixo de R$ 60, e o AR inviabiliza o processo para uma série de pessoas. Por exemplo, todo mundo que mora em áreas rurais não vai ter mais crédito, porque não vai receber AR, porque não o AR não chega em áreas rurais. Em muitas áreas urbanas, bairros e periferias, o AR não vai. Ele não é entregue fora do horário comercial, e muitas pessoas trabalham e a casa fica fechada durante o dia. Aí, a correspondência vai uma, duas, três vezes e é devolvida para o remetente. Todo esse pessoal vai ficar fora.

Vinícius Albuquerque: Isso limita o público que poderia ser beneficiado?
Roque Pellizzaro Jr.: Limita, e vem não em detrimento do comércio, mas em detrimento do consumidor. Ele vem realmente de encontro com os interesses do consumidor. Um choque.

Vinícius Albuquerque: Quais são as expectativas do comércio varejista em relação aos próximos meses?
Roque Pellizzaro Jr.: A crise está aí, não dá pra gente fugir dela. O que a gente tem que cuidar é para que a crise não fique maior do que realmente é. Mas o Brasil, principalmente através do varejo, já vem apresentando sinais positivos. Nosso nível de emprego desde fevereiro parou de cair, e apesar do crescimento do número de postos de trabalho ainda ser pequeno, mas ao contrário do resto do mundo, apresenta um viés de crescimento. Em fevereiro parou de cair, em março teve uma leve alta e em abril apresentou números bastante interessantes.

FCDL/RN: E falando sobre crescimento, o que o Sr. acha do tema “Hora de Inovar, Hora de Crescer”, da 13ª Convenção do Comércio e Serviços do RN?
Roque Pellizzaro Jr.: Extremamente atual e importante. O desenrolar do processo crise para as empresas vai muito em rever procedimentos. Principalmente conhecendo o seu cliente, porque o cliente antes da crise era um e o pós-crise é outro. Nós mudamos nossos hábitos de consumo. Aquele varejista que não entender essas mudanças a tempo, mexendo no seu perfil, no mix de mercadoria, na apresentação dos produtos, no crédito que ele oferece ao consumidor, por certo esse varejista terá muitas dificuldades.

FCDL/RN: E qual a importância de um evento como a 13ª Convenção, com esse nível de palestrantes, para o lojista?
Roque Pellizzaro Jr.: Ninguém vai em evento algum dar a solução pra ninguém. Até porque a solução nasce da criatividade do empresário. Um evento como esse tem a função de orientar sobre qual é a real situação para que as decisões que o empresário tome sejam fundamentadas dentro da realidade, e não fora dela. Se você tem que tomar alguma decisão baseado numa premissa que seja falsa, sua decisão com certeza vai ser equivocada. Quando se toma uma decisão, planeja uma ação com premissas verdadeiras e firmes, sólidas, você tem uma chance de sucesso infinitamente maior. E a idéia do evento é exatamente essa: trazer um nível de informação que seja utilizada pelo empresário para que suas decisões sejam fundamentadas em premissas verdadeiras e firmes.

FCDL/RN: Durante a solenidade de abertura, o governo apresentou o projeto da Copa 2014 que vai englobar varias mudanças na cidade e pediu o apoio da classe lojista local. Qual a importância do lojista para a preparação da cidade?
Roque Pellizzaro Jr.: Nenhum setor econômico é tão ligado aos interesses públicos quanto o comércio. A indústria vive sem a sua comunidade; o agronegócio vive sem sua comunidade; agora, o comércio vive essencialmente da sua comunidade. Onde ele estiver inserido, se a atividade econômica, se o bem estar social, se a auto estima da população estiver bem, o comércio está bem. Se tudo isso estiver mal, ele vai mal junto. Então, o comércio vai ser não só beneficiado por esse processo, mas o grande agente fomentador, e tem que ser. Pra que a estrutura preparatória pra Copa 2014 efetivamente se concretize. Se isso acontecer, ele vai bem. Se isso não acontecer, ele é o primeiro a ir mal.

Vinícius Albuquerque: Como o Sr. avalia a convenção estadual e como ela é vista nacionalmente?
Roque Pellizzaro Jr.: O Rio Grande do Norte é um estado que faz. Na proporção do tamanho do estado, não existe nenhum evento estadual maior que esse. Você tem eventos desse porte em estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde o volume de CDLs e o tamanho dos estados é maior. Santa Catarina tem 200 CDLs; Rio Grande do Sul, 220; Minas Gerais, 260. Mas Minas Gerais não tem um evento desse porte. Isso mostra que o lojista do Rio Grande do Norte está realmente interessado em evoluir com base em premissas fortes e verdadeiras. Ele é um empresário voltado a aprender. Eu vim agora da Convenção de Santa Catarina. Nós temos lá 200 CDLs e tinham 2000 pessoas no evento. Aqui com 15% do número de CDLs tem metade do que tinha lá de pessoas. Foi assim no ano passado em Mossoró e isso me deixa extremamente alegre. Isso mostra que as lideranças são alinhadas com as bases, ou seja, estão executando aquilo que as bases anseiam.

FCDL/RN: Em 2007, nós tivemos uma convenção nacional em Natal. Quais são as chances de termos outra convenção nacional aqui em breve?
Roque Pellizzaro Jr.: Muito boas. A de 2009 vai ser em Vitória e a de 2010 já está marcada para Florianópolis. Em Vitória, logo após a convenção, estaremos decidindo a sede de 2011. Dentro dos requisitos exigidos pela CNDL, Natal possui a infra-estrutura toda necessária e, vendo essa convenção, a motivação do movimento lojista estadual.

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